Aborto – Tragédia ou direito?

By Silvano Silva - 10:12:00



Quando se fala em legalização do aborto,
imediatamente é levantada a questão dos “casos
difíceis”: as situações que deixam até mesmo as
pessoas mais compassivas despreparadas diante dos
que defendem o direito dessa prática. Uma menina de 12 anos é
sexualmente abusada pelo próprio irmão. Uma adolescente de 16
anos, filha única de uma mãe solteira que tem de trabalhar fora
para sustentar a casa, é brutalmente estuprada por um estranho.
Um homem domina uma jovem em seu primeiro namoro e a
violenta. Esses são apenas alguns dos casos trágicos.
Os que são a favor do aborto tiram vantagem de situações
assim para ganhar a simpatia da população. Quando uma mulher
ou menina é vítima de abuso sexual, dizem eles, o aborto é uma
solução. Eles afirmam que “forçá-la” a ter o bebê a deixará
traumatizada. O que poderia ser mais cruel, perguntam eles, do
que insistir em que uma jovem ou mulher gere em seu corpo
uma criança concebida num ato de estupro ou abuso?

Manipulando as “exceções”

Esses argumentos não são novidade. Aliás, a maioria dessas
estratégias foi usada pelos ativistas pró-aborto nos EUA.
Utilizando a questão do “estupro” para persuadir os políticos,
os jornalistas e a opinião pública, as feministas conseguiram,
em 1973, legalizar o aborto nos EUA no famoso caso Roe x
Wade, diante do Supremo Tribunal. Neste caso, “Jane Roe”
afirmou buscar uma operação de aborto quando ficou grávida
depois de ser violentada por vários homens. Anos mais tarde,
Norma McCorvey, a mulher que usou o nome de “Jane Roe”,
reconheceu que suas advogadas feministas inventaram toda a
história do estupro. Ela só não pôde mais esconder a verdade porque se converteu ao
Cristianismo. Hoje ela conta: “Fui uma boba que fiz tudo o que os promotores do aborto
queriam. Na minha opinião, pode-se afirmar sem sombra de dúvida que a indústria inteira
do aborto está alicerçada em mentiras”.
Então, hoje se sabe que o caso judicial de estupro usado para legalizar o aborto nos
EUA foi uma fraude. Aliás, os argumentos a favor dos direitos ao aborto foram uma farsa
desde o começo. Os advogados pró-aborto descobriram que poderiam ganhar o apoio
popular e a simpatia judicial focalizando os horrores dos abortos clandestinos e ilegais. Eles
argumentavam que centenas de mulheres estavam morrendo nas mãos de “açougueiros”
que exploravam vítimas desesperadas. Eles até apresentavam estatísticas, afirmando que
havia um grande número de mulheres com problemas de saúde devido ao aborto ilegal e
que essas mulheres estavam dando despesas pesadas para o sistema de saúde pública. Para
eles, a solução era legalizar o que eles chamam de “interrupção da gravidez”.
Depois da legalização, o dr. Bernard Nathanson se tornou o diretor da maior clínica
de abortos do mundo ocidental e presidiu 60 mil operações de aborto. Como McCorvey,
ele também teve uma experiência de conversão. Hoje ele conta o que alguns especialistas
médicos, inclusive ele mesmo, afirmavam antes da legalização do aborto nos EUA:
“Diante do público... quando falávamos em estatísticas [de mulheres que morriam em
conseqüência de abortos clandestinos], sempre mencionávamos ‘de 5 a 10 mil mortes por
ano’. Confesso que eu sabia que esses números eram totalmente falsos... Mas de acordo
com a ‘ética’ da nossa revolução, era uma estatística útil e amplamente aceita. Então por
que devíamos tentar corrigi-la com estatísticas honestas?”
Para iludir o público, as feministas garantiram que só queriam o aborto legalizado nos
casos de estupro e incesto. Mas aí, quando a questão já estava avançando nos tribunais,
elas passaram a dizer que é injusto permitir o aborto só nessas situações. Foi assim que os
casos de estupro e incesto acabaram se tornando a porta escancarada que deu às mulheres
americanas o direito livre e legal de fazer aborto por qualquer razão e em qualquer estágio
da gravidez, desde o momento da concepção até o momento do parto. Hoje são realizados
por ano mais de um milhão de abortos nos hospitais e clínicas dos EUA.
Para legalizar o aborto no Brasil, alguns especialistas empregam a mesma estratégia de
exagerar as estatísticas. Anos atrás, a CNN mostrou um documentário de uma hora sobre
o aborto no mundo. Na seção sobre o Brasil, o repórter da CNN afirmou:
“O aborto no Brasil é uma das maiores causas de morte entre as mulheres. Estima-se que
sejam realizados no Brasil seis milhões de abortos ilegais por ano. Esses abortos causam
400 mil mortes. Metade dos abortos feitos anualmente, ou três milhões, são realizados em
meninas de 10 a 19 anos. De cada 100 delas, 21 morrerão”.
As estratégias usadas no Brasil são tão parecidas com os argumentos usados nos EUA
porque os mesmos grupos que legalizaram o aborto lá estão atuando em nosso país. Mas o
Instituto de Pesquisa de População de Baltimore, EUA, comenta:
“Já que o número total de mulheres brasileiras em idade reprodutiva (15 a 44 anos)
que morrem anualmente de TODAS as causas são apenas umas 40 mil (consulte o U.N.
Demographic Yearbook, 1988, pp. 346-7 ou o World Health Statistics Annual da OMS,
1988, p. 120) a afirmação de 400 mil mortes de abortos ilegais é simplesmente impossível.
O repórter que fez a notícia não só não se informou direito mas também demonstra não
saber matemática. Ele devia ter percebido que a afirmação de uma taxa de morte de 21
de cada 100 entre os alegados três milhões de abortos realizados em adolescentes dá um
total de 630 mil mortes, um número maior do que os 400 mil que supostamente ocorrem
de todos os abortos brasileiros juntos! Mas os lacaios do dono da CNN engoliram esse
número e o noticiaram no mundo inteiro”.

A verdade aparece

O dr. David Reardon, especialista em ética biomédica e pesquisador e diretor do
Instituto Elliot de Pesquisa das Ciências Sociais, diz: “As pessoas pulam para conclusões
sobre estupro e incesto com base no medo...”. O Instituto Elliot publicou uma pesquisa
recente que mostra que o aborto impede as vítimas de estupro de se recuperar. Durante um
período de nove anos, o Instituto coletou o depoimento de 192 mulheres que engravidaram
como conseqüência de estupro ou incesto. Nessa pesquisa, há também o testemunho das
crianças concebidas nessas circunstâncias.
É claro, os que defendem o aborto gostariam que todos acreditassem que as vítimas
de violência sexual são mulheres desesperadamente necessitadas de serviços médicos de
aborto. Mas a realidade não é bem assim. Apesar das circunstâncias trágicas, abusivas e
muitas vezes violentas em que seus filhos foram concebidos, a maioria dessas mulheres na
pesquisa escolheu lhes dar vida. Geralmente, a mulher só cede à realização de um aborto
por pressão do abusador ou de outros membros da família.
O Instituto Elliot constatou que 73% das vítimas de estupro escolheram dar à luz seus
bebês. Em 1981, a dra. Sandra Mahkorn conduziu a única e importante pesquisa anterior
de vítimas de estupro que engravidaram. De modo semelhante, ela constatou que de 75 a
85% das vítimas de estupro escolheram dar vida a seu filhos.
A pesquisa mostra que praticamente todas as mulheres que realizaram um aborto
lamentaram a decisão. Por outro lado, as mulheres que escolheram dar à luz seus filhos
sentiram-se felizes por tê-los. “Agradeço a Deus pela força que Ele me deu para atravessar
os momentos difíceis e por toda a alegria dos bons momentos”, disse Mary Murray, que
teve uma filha concebida num estupro. “Jamais lamentarei o fato de que escolhi dar vida
à minha filha”. Da mesma forma, os homens e as mulheres concebidas em situações de
estupro e incesto elogiam suas mães por lhes darem vida. “Cristo ama todos os seus filhos,
até mesmo os que foram concebidos nas piores circunstâncias”, diz Julie Makimaa, cuja
concepção ocorreu quando sua mãe foi estuprada. “Afinal, não importa como começamos
na vida. O que importa é o que faremos com a nossa vida”.

O aborto aumenta o trauma da violência ou abuso sexual

Em vez de aliviar a angústia psicológica das vítimas de violência sexual, o aborto
traz mais angústia. O dr. Reardon, especialista em questões pós-aborto, diz: “A evidência
mostra que o aborto aumenta os traumas e o risco de suicídio. Mas o ato de deixar a criança
nascer reduz esses riscos”. Nos casos de incesto, as vítimas que engravidam são muitas
vezes meninas novas e não estão devidamente conscientes de seu estado de gravidez. O
dr. Reardon diz que tal situação as deixa vulneráveis a profundos traumas psicológicos
quando, anos mais tarde, elas percebem o que aconteceu.

A própria experiência do aborto, física e emocionalmente, pesa na mulher tanto quanto
o trauma do estupro. O trauma maior é que, embora saiba que não teve culpa no estupro,
ela sente-se responsável pelo aborto, até mesmo quando o aceita sob pressão. Algumas
conseqüências que um aborto deliberado traz:
Síndrome pós-aborto: Um estudo realizado pela dra. Brenda Major, que é a favor do
aborto, constatou que, em média, as mulheres relataram não ter recebido nenhum benefício
de um aborto.
Abuso de drogas e álcool: Mulheres que realizaram um aborto têm quase três vezes
mais risco de usar drogas e/ou álcool do que mulheres que não abortaram. Mulheres que
nunca usaram drogas ou álcool e abortaram seu primeiro bebê têm cinco vezes mais risco
de começar a usar drogas ou álcool em comparação com mulheres que tiveram seus bebês.
Vinte por cento relataram ter começado a usar drogas ou álcool um ano depois do aborto,
e 67% disseram ter começado num período de três anos.
Taxas de mortalidade: Um estudo feito na Finlândia revelou que as mulheres que
fizeram aborto tiveram 252% mais de chance de morrer no mesmo ano em comparação
com mulheres que tiveram seus bebês. Em comparação com mulheres que deram à luz, as
chances de morrer dentro de um ano após um aborto foram 1.63% para morte de causas
naturais, 4.24% para mortes de ferimentos relacionados a acidentes, 6.46% para mortes
em conseqüência de suicídio e 13.97% para mortes em conseqüência de assassinato.
Vítimas de estupro e incesto: O dr. Reardon revela que das 50 vítimas de estupro que
expressaram seus sentimentos sobre o aborto que realizaram, 88% declararam que foi
uma escolha errada. Quarenta e três por cento das vítimas de estupro avaliadas relataram
que fizeram aborto por pressão dos outros. Mais de 90% disseram que desaconselhariam
outras vítimas de violência sxual a realizar um aborto. O dr. Reardon menciona um estudo
que mostra que as mulheres que fazem aborto têm uma probabilidade duas vezes maior
de ter partos antes ou depois do tempo, levando assim a defeito de nascença. Ele também
comenta que filhos de mulheres que já fizeram aborto tendem a ter mais problemas de
comportamento.
Câncer de mama: De acordo com o livro Breast Cancer (Câncer de mama), do dr. Chris
Kahlenborn, a mulher que realiza um aborto tem duas vezes mais probabilidade de sofrer
de câncer de mama.

De que modo a vida traz cura

Kay Zibolsky é fundadora da Liga Vida Depois da Agressão e oferece aconselhamento
por experiência. Quando tinha 16 anos, Kay foi estuprada numa noite fria e escura por um
homem estranho que ela nem mesmo conseguiu ver. Ela guardou o segredo do estupro,
mesmo quando percebeu que estava grávida. “Minha mãe me ajudou a atravessar o trauma
do estupro, mesmo sem saber que era um estupro, aceitando minha gravidez e dando toda
ajuda que ela podia”, diz Kay. “Eu poderia ter questionado se o ato violento e cruel do
estupro desculpava o ato violento e cruel de destruir um bebê inocente. Escolhi pensar na
parte do bebê que era minha parte”. Ela deu à luz uma filha e lhe deu o nome de Robin.
Hoje Kay tem Jesus na sua vida, é casada e tem outros filhos. E agora usa sua experiência
para aconselhar milhares de mulheres vítimas de estupro e incesto, inclusive muitas que
engravidaram. Ela conta: “Digo a elas que não é pecado ser estuprada. Estuprar é que
é pecado. Isso joga a culpa onde tem de ser jogada. Digo que pecado é matar a criança
concebida num estupro ou incesto. Se fizer um aborto, você terá de mais cedo ou mais
tarde lidar com esse pecado”.
Kathleen DeZeeuw, que foi estuprada na adolescência, dá o seguinte depoimento: “Vivi
uma experiência de estupro e criei um filho ‘concebido no estupro’. Por isso, sinto-me
pessoalmente agredida e insultada toda vez que ouço dizerem que o aborto deve ser legal
por causa do estupro e incesto. Sinto que estamos sendo usadas para promover a questão
do aborto... Hoje trabalho como conselheira e muitas vezes uma jovem me diz: ‘Mas
você não entende! Como você poderia realmente compreender?’ Dou meu testemunho, de
como Deus usou até mesmo uma situação de estupro e a transformou para a sua glória”.
Hoje o filho de Kathleen é casado e se dedica ao chamado missionário. Ele diz: “Como
alguém concebido num estupro, tenho um modo especial de ver a questão do aborto. Se
o aborto fosse legal na época em que fui concebido, eu não estaria vivo. Jamais teria tido
a chance de amar e de me dar aos outros. Tenho tido oportunidades maravilhosas de dar
meu testemunho também. Toda vez que alguém diz: ‘Mas, e nos casos de estupro?’ Tenho
a resposta perfeita!”
Um dos testemunhos mais tocantes é o de Myra Wattinger. Ela e o marido haviam se
divorciado há pouco tempo e, como seus pais tinham falecido quando ela era adolescente,
ela estava sem recursos e não tinha a quem recorrer. Então arranjou um emprego para
cuidar de um homem idoso. Certo dia, enquanto estava só na casa, um dos filhos alcoólatra
do homem a estuprou. Nessa situação, ela se sentiu abandonada e chegou a pensar que
Deus não a amava. Mas, para piorar tudo, ela descobriu que engravidara. Ela não tinha
condições de sustentar uma criança e não estava disposta a cuidar de um bebê concebido
num ato de tanta humilhação e violência. Ela procurou um médico disposto a fazer seu
aborto, mas não encontrou. A solução parecia ser uma só: suicídio.
No exato momento em que essa idéia apareceu, surgiu em seu espírito a necessidade
de orar. Ela olhou para o céu e clamou: “Senhor, estou carregando essa criança e não sei
o que fazer”. Ela nunca teve certeza se a voz era audível ou não, porém sentiu Deus lhe
dizendo: “Tenha o bebê. Ele trará alegria ao mundo”. Essas duas frases dissiparam todos
os pensamentos de suicídio e de aborto. Hoje, seu filho, James Robison, é um evangelista
com um ministério que tem alcançado e abençoado milhões de pessoas. Sem dúvida, o
que Deus disse a Jeremias também se aplica ao evangelista Robison: “Antes que eu te
formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações
te dei por profeta” (Jr 1.5, versão RC)

A verdadeira compaixão

Mulheres nessas situações precisam do apoio e compaixão das igrejas, amigos e família
para ajudá-las em seu processo de cura dos traumas. O aborto não é uma alternativa
compassiva, pois uma criança concebida num estupro também é vítima e tem o mesmo valor
humano que um bebê concebido num casamento. Além disso, será que um filho deve sofrer
a pena de morte por crimes que o pai cometeu? Não foi a criança quem cometeu o estupro.
Embora a maioria dos ativistas que defendem a legalização do aborto alegue ser contra
a pena de morte para assassinos e estupradores, eles não conseguem, porém, poupar dessa
mesma pena crianças inocentes concebidas num ato de injustiça. Alegam que a pena de
morte é um castigo cruel para os criminosos. Mas, estranhamente, nos casos de mulheres
grávidas num estupro, escolhem a morte para a criança inocente. Nem mesmo levam
em consideração pelo menos a opção compassiva de deixar a criança nascer para depois
entregá-la para a adoção. É de admirar então que os crimes de estupro estejam crescendo
tanto? Enquanto o culpado escapa, duas vítimas inocentes ficam para trás para sofrer
abuso, humilhação, preconceito e abandono.
Talvez a pior pressão para a vítima seja o “conselho” de médicos e psicólogos que, já
endurecidos com o procedimento de eliminar uma criança através do aborto, procuram
amortecer os sentimentos da mulher com relação à criança que ela está gerando em seu
corpo e levá-la a uma decisão que, a nível emocional e espiritual, só lhe causará perdas e
traumas.
A verdadeira atitude de compaixão seria amparar a mulher em sua situação de crise.
Lembro-me de que anos atrás uma deputada propôs um projeto para que o governo desse total
amparo material e médico às vítimas de estupro que haviam engravidado. Um belo exemplo
de uma mulher ajudando outras mulheres. Ela queria que o governo se responsabilizasse
pelo cuidado e proteção da vítima-mulher e da vítima-criança. Isso é justiça genuína. Mas
então as feministas, que também alegam estar do lado das mulheres, se opuseram totalmente
a esse projeto. Por quê? Porque ajudar mulheres em tal situação prejudicaria as intenções
de as feministas usarem esses casos para estabelecer e ampliar mecanismos legais, sociais e
médicos para o abortamento de crianças concebidas em qualquer situação, justa ou injusta,
como ocorre hoje nos EUA e na Europa. Assim, a única opção que elas dão à vítima é abortar
ou ficar abandonada. Felizmente, a solução de Jesus Cristo para a vítima não inclui morte
nem abandono. Através de muitas igrejas e famílias cristãs compassivas, Jesus está de braços
abertos para oferecer a ela acolhimento, amor e assistência.

Conceito bíblico

Provocar intencionalmente um aborto por meios artificiais, por intervenção médica ou
pelo uso de drogas, com o objetivo único de evitar o nascimento de um filho não desejado,
é um grave pecado diante de Deus. É um assassínio (Êx 20.13). A lei dada a Moisés não
apenas protegia a vida de um bebê que estivesse para nascer como também o protegia
de um aborto criminoso, pois, se numa briga entre homens, uma mulher grávida viesse
a sofrer um acidente fatal para ela ou o filho, então a pena de morte seria aplicado ao
causador desse mal. “Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for
causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme
o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes. Mas, se houver morte, então
darás vida por vida. Olho por olho, dente, por dente, mão por mão, pé por pé, Queimadura
por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Êx 21.22-25).
Como sabemos, a vida é uma dádiva de Deus. Jó se pronunciou nesse sentido quando
declarou: “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou” (Jó 1.21). Não podemos dispor da vida
ao nosso bel-prazer, mas devemos respeitá-la, reconhecendo que só Deus pode tirá-la.
“Porque em ti está o manancial da vida...” (Sl 36.9). “Porque nele vivemos, e nos movemos
e existimos” (At 17.28).
A vida de uma criança ainda no útero materno é tão preciosa aos olhos de Deus quanto
à vida de uma criança com mais idade: “Cobriste-me no ventre de minha mãe. Os meus
ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas
da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas
foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas
havia” (Sl 139.13-16).
Se alguém viesse a matar intencionalmente um ser humano, mesmo no ventre materno,
certamente estaria praticando um pecado grave aos olhos de Deus. “Quem derramar o
sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem
conforme a sua imagem” (Gn 9.6).
“E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1Jo 3.15).
Por fim, a Bíblia declara que os filhos são bênçãos de Deus: “Eis que os filhos são herança
do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Sl 127.3).
A ciência médica mostra claramente que a vida começa na concepção. Considere os
seguintes fatos:
Fertilização: O espermatozóide do pai penetra o óvulo da mãe. As instruções genéticas
dos dois combinam para formar uma nova vida individual, única, dificilmente visível ao
olho humano.

Com 20 dias de gestação os olhos do bebê começam se formar e o cérebro, a coluna
vertebral e o sistema nervoso estão completos.

Com 24 dias O CORAÇÃO COMEÇA A BATER.

Com 43 dias AS ONDAS CEREBRAIS DO BEBÊ PODEM SER REGISTRADAS.

Com dois meses o bebê tem aproximadamente sete centímetros de comprimento
e pesa sete gramas. Todos os órgãos estão presentes, completos e funcionando (exceto
os pulmões). As batidas cardíacas são fortes. O estômago produz sucos digestivos. O
fígado produz células sanguíneas. Os rins estão funcionando. As impressões digitais estão
gravadas. As pálpebras e as palmas das mãos são sensíveis ao toque. O estímulo com
batidas leves no saco amniótico faz mexer os braços do bebê.
“Procure salvar quem está sendo arrastado para a morte. Você pode dizer que o problema
não é seu, mas Deus conhece o seu coração e sabe os seus motivos. Ele pagará de acordo
com o que cada um fizer” (Pv 24.11-12, BLH).

Por Julio Severo

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